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- Tratamentos na Esclerose Múltipla
Receber o diagnóstico de Esclerose Múltipla ou precisar reavaliar um tratamento existente pode trazer muitas perguntas e incertezas. Uma das mais importantes é: "Por que iniciar ou trocar meu tratamento na EM?" A resposta é clara e focada em você: nosso principal objetivo é reduzir o risco de novos surtos, impedir o aparecimento de novas lesões e prevenir o acúmulo de incapacidade. Em outras palavras, nossa meta é preservar a sua qualidade de vida a longo prazo.
É fundamental entender que não existe uma "receita de bolo" pronta quando falamos de tratamento para Esclerose Múltipla. Cada paciente é único, e a escolha do tratamento é uma decisão compartilhada, feita em conjunto, levando em conta diversos fatores.
Quais são os pontos que analisamos juntos?
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Eficácia: Refere-se à "potência" do tratamento em prevenir novos problemas neurológicos causados pela EM. Estes "problemas" são os surtos, as novas lesões que vemos na ressonância e a progressão da doença. É importante desmistificar a ideia de que "o mais forte tem mais efeitos colaterais". Na verdade, pense na eficácia como um escudo que pode ser mais ou menos potente contra as inflamações que a EM pode causar. Infelizmente, nenhum tratamento é 100% eficaz, pois ainda não temos a cura, mas hoje dispomos de MUITAS opções que oferecem um excelente controle, permitindo que a doença fique SILENCIADA por muito tempo, e que muitos pacientes vivam muito bem, com qualidade de vida.
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Segurança e Efeitos Colaterais: Naturalmente, surgem muitas dúvidas: "Vou sentir alguma coisa? Dor no corpo? Febre? Terei mais infecções? Vai alterar meus exames de sangue? Existe risco de câncer? Meu cabelo vai cair? Terei arritmia? Sentirei algo no estômago/intestino? Existe reação alérgica?" As boas notícias são que as medicações são cada vez mais seguras, e o conhecimento sobre seus efeitos tem crescido muito. Vamos sempre conversar abertamente sobre cada possível efeito, monitorando tudo de perto.
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Planejamento Familiar e Gravidez: Para muitas mulheres, a possibilidade de engravidar é um fator crucial. Perguntas como "Posso engravidar usando esse tratamento?" são essenciais e precisam ser abordadas com planejamento e segurança, garantindo tanto a saúde da mãe quanto a do bebê.
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Frequência de Uso: A rotina do tratamento também importa. "De quanto em quanto tempo preciso usar o medicamento? Uma vez por dia? Por semana? Por mês? A cada seis meses? A cada ano?" A frequência pode variar bastante e impactar diretamente o seu dia a dia.
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Monitoramento: "De quanto em quanto tempo preciso fazer exames de sangue?" O acompanhamento laboratorial é fundamental para a segurança e para monitorar a eficácia do tratamento.
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Acesso e Disponibilidade: É uma preocupação válida saber se o tratamento "Tem no SUS? Tem no convênio? Já está disponível no Brasil? Posso participar de algum ensaio clínico para uma medicação que ainda não chegou aqui?" Discutimos todas as opções de acesso para que você tenha o melhor tratamento possível.
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Preservação da Rotina: Queremos que o tratamento se integre à sua vida, não que a domine. "Ele preserva minha rotina?" é uma pergunta importante para manter sua autonomia e bem-estar.
Realmente, são muitos aspectos a considerar, e ainda existem outros! Imagino o quão desafiador pode ser receber o diagnóstico, processar tantas informações e, em seguida, ter que tomar uma decisão tão importante junto com seu neurologista. Saiba que nós, especialistas em Esclerose Múltipla, estamos aqui exatamente para isso: para guiar você nesse processo, esclarecer cada ponto e encontrar o caminho mais adequado para a sua saúde.
Para ilustrar essa jornada de avanços, segue uma lista dos principais medicamentos aprovados e sua cronologia:
- 1993: Betaferon (Interferon Beta 1B subcutâneo). Disponível no Brasil!
- 1996: Avonex (Interferon Beta intramuscular). Disponível no Brasil!
- 1996: Copaxone (Acetato de Glatirâmer subcutâneo); formulação 40mg em 2014. Disponível no Brasil!
- 2000: Mitoxantrone (Novantrone; intravenoso). Disponível no Brasil!
- 2002: Rebif (Interferon Beta 1A subcutâneo). Disponível no Brasil!
- 2004: Natalizumabe (Tysabri; intravenoso). Disponível no Brasil!
- 2010: Fingolimode (Gilenya e genéricos; oral). Disponível no Brasil!
- 2012: Teriflunomida (Aubagio e genéricos; comprimido oral). Disponível no Brasil!
- 2013: Dimetil Fumarato (Tecfidera e genéricos; cápsula oral). Disponível no Brasil!
- 2013: Alemtuzumabe (Lemtrada; intravenoso). Disponível no Brasil!
- 2015: Interferon Beta 1A (Plegridy; subcutâneo). Disponível no Brasil!
- 2017: Ocrelizumabe (Ocrevus; intravenoso e subcutâneo previsto para 2025). Ambos disponíveis no Brasil!
- 2018 (EMA)/ 2019 (FDA): Cladribina (Mavenclad; comprimido oral). Disponível no Brasil!
- 2019: Siponimode (Mayzent; oral). Disponível no Brasil!
- 2020: Ofatumumabe (Kesimpta; subcutâneo). Disponível no Brasil!
- 2020: Ozanimode (Zeposia; oral). Poderá ser registrado no Brasil!
- 2021: Ponesimode (Ponvory; oral). Poderá ser registrado no Brasil!
- 2022: Ublituximabe (Briumvi; intravenoso). Aprovado em outros países, não disponível no Brasil ainda.
Se você está nesse momento de decisão sobre o tratamento da Esclerose Múltipla, ou se tem dúvidas sobre qual seria o caminho mais adequado para o seu caso, a avaliação e o acompanhamento de um neurologista com experiência em doenças desmielinizantes são insubstituíveis. Essa expertise garantirá que todos os fatores sejam cuidadosamente considerados, levando a uma decisão informada e personalizada que vise o melhor para a sua saúde e qualidade de vida. Agende uma consulta para conversarmos sobre suas necessidades.
Um abraço,
Dr. Mateus Boaventura Neurologista especialista em Esclerose Múltipla e Neuromielite Óptica CRM-SP 152585 RQE 70828
Referências Científicas:
Apóstolos SLP, Boaventura M, Mendes NT, Teixeira LS, Campana IG. How to choose initial treatment in multiple sclerosis patients: a case-based approach. Arq Neuropsiquiatr. 2022 May;80(5 Suppl 1):159-172.







